Celso Éder Gonzaga de Araújo, 33 anos, fez cerca de 25 mil vítimas em todo o país, conforme a Polícia Federal

Guilherme Henri e Anahi Zurutuza

Celso der Gonzaga de Arajo 33 anos Foto Revista AlsoCelso Éder Gonzaga de Araújo, 33 anos (Foto: Revista Also)

Celso Éder Gonzaga de Araújo, 33 anos. Nomeado cônsul honorário da República da Guiné-Bissau, país africano, em ações na Justiça é apresentado como comerciário, na capa de uma revista de Campo Grande como administrador e empresário de sucesso. Para a Polícia Federal, no entanto, o perfil certo é o de golpista.

Ele e outros três homens são apontados na Operação Ouro de Ofir como “cabeças” de uma organização criminosa que detinha milhões aplicando golpes em pelo menos 25 mil pessoas em todo o país.

O suspeito das multifacetas tinha renda de R$ 20,5 mil aos 24 ano, conforme a apuração da PF (Polícia Federal), e no ano passado, a movimentação em uma das contas bancárias dele saltou para a cifra de R$ 3,4 milhões. 

Os dados são do Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras), que é vinculado ao Ministério da Fazenda. Segundo órgão, parte deste enriquecimento veio no curto período de 1 de junho a 5 de setembro de 2016, quando foram feitos 455 depósitos bancários na conta dele de contas dos estados de SP, PR, CE, TO, DF, MG, PB, MS, MT, PI, RJ, GO, AL, BA, RS e SC. O montante destas operações foi de R$ 1,7 milhão.

 

O montante parece mais um grão de areia perto do que ele declarou no Imposto de Renda. Em trecho do documento da representação pela prisão do suspeito, a PF destaca que a partir de uma LTN (Letra do Tesouro Nacional) - transferida por Ricardo Machado Neves, outro investigado -, Celso Éder informava ter R$ 3.938.441.828,00 (três bilhões, novecentos e trinta e oito milhões, quatrocentos e quarenta e um mil, oitocentos e vinte e oito reais) de patrimônio.

Para a PF, o valor astronômico não foi só declarado de forma suspeita, mas sim totalmente ilegal. A fraude, segundo o delegado federal Cleo Mazzotti, era usada como “prova” dos valores, uma forma de passar a sensação de segurança as vítimas para que investissem na promessa de um negócio absurdamente lucrativo.

 

Investigado est preso temporariamente na PF Foto Revista AlsoInvestigado está preso temporariamente na PF (Foto: Revista Also)

Empresas - O que mais intriga é que de acordo com informações da Receita Federal, Celso Éder é sócio da empresa Meat Point Hamburgueria desde 2001, com capital social de R$ 80 mil. No entanto, os negócios mais lucrativos para o suspeito vieram da Company Consultoria Empresarial que, aberta desde 2015, tem capital social de R$ 1,5 milhão.

A empresa, que recebeu nas primeiras horas da manhã de terça-feira (21) a “visita” de policiais e agentes da Receita Federal, tem na descrição da atividade-fim que presta “consultoria em gestão empresarial, exceto consultoria técnica específica”, ainda segundo consta no site da Receita.

Celso der no estacionamento da Polcia Federal ontem Foto Marcos ErmnioCelso Éder no estacionamento da Polícia Federal ontem (Foto: Marcos Ermínio)

“Não se trata apenas de um crime contra os consumidores, a chamada “pirâmide financeira” ou algo similar, apesar do número de vítimas ser alto e atingir todo o território nacional. Os investidores/vítimas acreditam que “investiram” seu capital em um negócio lícito e altamente rentável, sem contudo confirmarem as informações prévias a eles prestadas”, consta no documento.

O investigado continua preso temporariamente na PF, informou a assessoria do órgão nesta quarta-feira (22). 

Cônsul - Sobre o título de cônsul apresentado pelo suspeito às vítimas, como forma de ganhar confiança, o delegado da PF explica que se deu ao bom relacionamento que o investigado pode ter tido com o país. “Qualquer um pode ser um cônsul de um país em outro se houver o bom relacionamento e interesses”.

Ainda conforme Cleo Mazzotti, o título era mais uma das maneiras de atestar credibilidade no golpe que aplicava.

Administrador – Questionado, o Conselho de Administração de Mato Grosso do Sul informou que Celso Éder possuí registro como administrador, porém a empresa suspeita, alvo do processo da Policia Federal, tem um processo de fiscalização em andamento neste Regional, por exploração ilegal de atividades privativas do administrador.

Empresa Company Consultoria Empresarial Foto Guilherme HenriEmpresa Company Consultoria Empresarial (Foto: Guilherme Henri)

Passado - O então “empresário de sucesso” figurou como capa de uma revista da Capital, em abril deste ano, na qual figura como alguém bem sucedido. Meses antes, porém, moveu ação contra o Youtube para que seja removido o vídeo de um homem, que se diz vítima dele e relata como o golpe funciona.

Antes deste processo, o nome de Celso Éder aparece em outra ação na Justiça movida por ele contra um banco. A queixa é de cancelamento de uma conta bancária sem seu conhecimento, causando constrangimento a clientes aos quais passou cheques, que voltaram por não ter fundos.

As poucas pessoas a qual o Campo Grande News teve acesso e dizem conhecer o suspeito afirmam que não se recordam como ele conseguiu enriquecer tão rápido. As lembranças relatadas, por dois colegas que terão a identidade preservada são de um rapaz simples, frequentador de bairros considerados afastados da área central e assíduo passageiro do transporte público.

A reportagem entrou em contato com a defesa do investigado, mas até a publicação desta matéria não foi atendida.